Para que o diagnóstico seja fidedigno, é muito importante que se realize uma boa colheita e conservação da amostra, lembrando que um bom diagnóstico é imprescindível para um tratamento e prognóstico precisos.

Muitas situações podem interferir na interpretação dos exames, como por exemplo, colheita e acondicionamento inadequados, stress do animal durante o momento da colheita, tempo de garroteamento, volume de amostra inadequado (amostras coaguladas e hemolisadas), tempo de jejum do animal e tempo entre a colheita e a realização do exame.

SANGUE

Para a realização de hemograma e
pesquisa de hemoparasitas, deve-se
acondicionar o sangue em tubo com
EDTA (tampa roxa ou rosa), sempre
respeitando o volume indicado.
Após colocar a amostra de sangue no
frasco, homogeneizar bem.
Importante que o tempo de garrote
não seja excedido para não haver
formação de agregados plaquetários.

 

A utilização de outros anticoagulantes, como o fluoreto, pode causar degeneração celular e dificultar a avaliação do esfregaço.

Para a realização de exames bioquímicos, a amostra deverá ser colocada em tubos sem anticoagulante (tampa vermelha ou amarela). O volume varia de acordo com a quantidade de exames solicitados.

Caso o clínico deseje mensurar a glicose do paciente, indica-se a utilização do tubo com fluoreto (tampa cinza) para que o resultado seja confiável.

É indicado jejum alimentar de no mínimo 8 horas.

As amostras deverão ser refrigeradas de 2ºC a 8ºC e encaminhadas ao laboratório sem exceder o período de 24 horas.

URINA

A urina pode ser coletada através da micção espontânea, sondagem uretral ou cistocentese. A amostra deve ser colocada em um frasco estéril (coletor universal), refrigerada de 2ºC a 8ºC e encaminhada ao laboratório sem exceder o período de 6 horas.

Para realização de cultura, a amostra deverá ser coletada através de cistocentese, preferencialmente. É importante a realização de uma boa assepsia.

CITOLOGIA

A biópsia aspirativa com agulha fina (BAAF) é o método mais indicado para se obter aspirados de massas superficiais ou internas, linfonodos, líquidos e órgãos internos. Antes de realizar a colheita, deve-se preparar o local da aspiração. A área deve ser cirurgicamente preparada, caso parte da amostra seja destinada a exames microbiológicos e/ou em necessidade de penetração em uma cavidade corporal. Do contrário, a antissepsia com um algodão embebido em álcool é suficiente.

Se a coleta for guiada por ultrassom deve-se evitar usar o gel, pois ele cora-se de rosa e pode atrapalhar na avaliação citológica da amostra ou até gerar uma lâmina em que não seja possível conferir um diagnóstico.

Primeiramente, a agulha acoplada a uma seringa é inserida no centro da massa ou protuberância e o êmbolo é puxado rapidamente para exercer uma pressão negativa, resultando no deslocamento de células para o interior da agulha. Deve-se redirecionar a agulha várias vezes, de preferência sem tirar a agulha da pele, pois isso poderia resultar na aspiração da amostra para o interior da seringa ou a contaminação com outro tecido ao redor da massa. Após colher a amostra de várias áreas, libera-se a pressão negativa e remove-se a agulha da massa. Em seguida, retira-se a agulha da seringa e aspira-se ar na seringa. Recoloca-se a agulha e empurra-se o êmbolo rapidamente para que a amostra possa ser expelida para uma lâmina de vidro.

A técnica de esfregaço por impressão (“Imprint”) é indicada para lesões cutâneas exsudativas e preparo de lâminas para análise citológica a partir de amostras de biópsia. As úlceras devem ser impressas em lâminas antes de serem limpas. Em seguida, deve-se limpar a úlcera com esponja cirúrgica embebida em solução fisiológica e fazer outra lâmina, dessa vez com a úlcera limpa. Isso vai impedir com que haja inflamação secundária e hemorragia na observação ao microscópio. Para tecidos colhidos, deve-se cortar o tecido e utilizar a parte fresca para a impressão. É importante remover o excesso de sangue e fluído da superfície para não contaminar a amostra. Em seguida, pressiona-se levemente o tecido contra a lâmina, várias vezes, tendo cuidado para não esfregar, pois isso causaria a ruptura das células. O esfregaço deve ser feito antes de colocar a amostra na formalina.

O Raspado, também chamado de Escarificação, é indicado para lesões cutâneas planas e secas, que não permitem a biópsia aspirativa por agulha fina ou impressão, e para amostras que esfoliam pouco. É uma técnica simples: uma lâmina de bisturi é segurada perpendicular a lesão superficial e o profissional que está coletando deve puxar a lâmina em sua direção várias vezes. Em casos de lesões secas e não ulceradas, o raspado deve causar um pequeno sangramento, pois irá ajudar a fixar as células na lâmina. Após a escarificação, o material que ficou na lâmina de bisturi é transferido para uma lâmina de vidro e espalhado delicadamente.

O Swab é o melhor método para fístulas e esfregaços vaginais. Pode ser usado quando a região não permite a utilização de outras técnicas. O swab deve ser de algodão estéril, próprio para coletas citológicas. Se a lesão for seca, é preciso umedecer o swab com solução fisiológica estéril, caso contrário, não é necessário o umedecimento do mesmo. A técnica consiste em passar o swab sobre a lesão e, em seguida, rolá-lo suavemente sobre a lâmina, sem esfregar.

LÍQUIDOS CAVITÁRIOS

A coleta de líquidos abdominais é realizada através de abdominocentese. O paciente deve estar em decúbito lateral ou em estação e a área entre a bexiga e o umbigo preparada assepticamente. O local da inserção da agulha é na linha média, a 1-2 cm caudal à cicatriz umbilical. A agulha utilizada pode ser de calibre 18 a 22 gauges acoplada a uma seringa de 6 a 12 ml. É importante que a bexiga e os intestinos estejam vazios para diminuir as chances de atingi-los durante o procedimento. Não há necessidade de sedação, mas o paciente deve estar bem contido.

O líquido pleural é coletado entre o sétimo e oitavo espaço intercostal, sobre a junção costocondral, com o animal em decúbito esternal, em estação ou em posição de sentar. Utilizar junto com a agulha a seringa num sistema intrafusor com registro de três vias. Os animais dispnéicos permitem a realização da toracotomia com uma contenção mínima e devem ser evitados os anestésicos gerais.

O líquido pericárdico normal localiza-se na cavidade pericárdica e tem volume de cerca de 0,5, a 15 ml de líquido, podendo acumular em casos agudos, até 150 ml de líquido sem apresentar alterações significativas. O líquido pericárdico é coletado com o paciente sedado (preferencialmente) e em decúbito lateral ou esternal. O local da perfuração (de acordo com as radiografias) é escolhido e normalmente fica entre o quarto e o sexto espaço intercostal. Utiliza-
se um cateter venoso com agulha guia acoplando-se uma seringa, com torneira de três vias e tubo de extensão.

Tanto na abdominocentese como na toracocentese, preconiza-se utilizar técnicas de diagnóstico por imagem antes da coleta de material para uma localização adequada do local de acúmulo de líquido, com o objetivo de estimar a quantidade de líquido. É necessária a realização de depilação e anti-sepsia rigorosa para evitar contaminações dos tecidos adjacentes.

O líquido coletado deverá ser refrigerado de 2 a 8ºC e enviado imediatamente para o laboratório.

LÍQUOR

A coleta de líquor é realizada com uma agulha mandril diretamente do espaço subaracnóideo, necessitando de anestesia geral, com o animal em decúbito lateral ou esternal. O local de coleta pode ser na cisterna cerebelomedular ou na região lombar, entre as vértebras L4 e L5 ou L5 e L6, sendo que o mais indicado é na primeira região, pois o acesso é mais fácil, permitindo coletar uma maior quantidade de líquor, além de uma amostra com menor contaminação.

O líquor coletado deverá ser refrigerado de 2 a 8ºC e enviado imediatamente para o laboratório.

HISTOPATOLOGIA

A peça anatômica deverá ter no máximo 4 cm e ser acondicionada em um frasco com formol 10%. Mantenha a amostra em um local seco e encaminhe ao laboratório.

FEZES

A amostra fecal deve ser colocada em um frasco limpo, refrigerada de 2ºC a 8º C e encaminhada ao laboratório sem exceder o período de 12 horas.

CULTURA E ANTIBIOGRAMA

Para realização de cultura fúngica, os pelos da borda da lesão deverão ser arrancados, e nunca cortados. Os pelos devem ser armazenados em um coletor universal e encaminhados ao laboratório sem exceder o período de 48 horas. Em caso de lesões úmidas, pode-se utilizar swab estéril.

Para cultura bacteriana, indica-se a utilização de swab estéril. Caso a lesão seja um abscesso, deve-se puncionar o material com uma seringa estéril, evitando entrada de ar na mesma. O swab deverá ser encaminhado ao laboratório sem exceder 48 horas, e a seringa não poderá exceder o período de 6 horas.

 

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